Dia 1º de Maio – Dia do trabalhador. Um dia de refletir sobre a saúde mental no trabalho e o Direito ao Descanso na Era da Exaustão. O Dia do Trabalhador, historicamente é marcado pela luta dos trabalhadores por jornadas de trabalho menores, até então insalubres, quase desumanas, e por direitos trabalhistas (nossa CLT). Hoje o dia do trabalhador ganha um contorno. Se no século XIX a batalha era contra a exploração física nas fábricas, hoje o campo de batalha é o campo psíquico. Não estamos mais apenas vendendo nossas horas; estamos entregando nossa “arquitetura mental” ao sistema produtivo.
A crise e os dados da saúde mental no trabalho
A crise da saúde mental no âmbito do trabalho não é uma percepção subjetiva, mas uma realidade estatística alarmante:
Hoje a palavra Burnout é bastante conhecida pela população em geral, inclusive usada em outros aspectos e cenários, mas o Burnout é relacionado ao adoecimento psíquico no trabalho. Inclusive, já compartilhei aqui como esse esgotamento afeta também aqueles que acolhem, no texto sobre o cuidar de quem cuida e o burnout na saúde. O Brasil hoje é o 2º país com mais casos de Burnout no mundo, perdendo apenas para o Japão. Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome. Parece pouco para você?
Quando falamos de afastamentos por adoecimento psíquico, os conhecidos Transtornos Mentais, não ficamos muito longe do Burnout nas estatísticas. Segundo o Ministério da Previdência Social (INSS) os transtornos mentais, ou doenças psiquiátricas estão em 3º lugar como causa de afastamentos do trabalho no país.
Sabe qual o custo global disso? A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a doenças como a depressão e a ansiedade custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade.
O “trabalho fantasma” e a exaustão digital
Bom, a tecnologia, que prometia nos libertar, acabou por estender o trabalho para dentro do nosso bolso ou ainda nas nossas mãos. O fenômeno do “trabalho fantasma”: quem nunca respondeu mensagens de WhatsApp após o expediente ou checou e-mails no domingo? Criamos uma jornada de prontidão ininterrupta. Trabalhamos ou pensamos no trabalho de segunda a segunda, 24 horas por dia.
Ser produtivo tornou-se uma obrigação moral. Está lá no Instagram, na concorrência por quem acorda mais cedo e dorme mais tarde, quem produz mais, quem trabalha mais. No entanto, o cérebro humano não trabalha em um ciclo de 24/7. Quando ignoramos a necessidade biológica do ócio, de descanso, de sono, entre outras necessidades básicas, o sistema colapsa.
Para mim a pergunta que o 1º de maio hoje nos impõe é: estamos trabalhando para viver ou apenas sobrevivendo para trabalhar?
Bem-estar corporativo ou apenas fachada?
Muitas empresas adotam discursos de bem-estar apenas como uma fachada corporativa, infelizmente. Ainda mais em tempos de NR-1. Não basta oferecer “frutas na copa”, “meditação guiada” ou ginástica laboral, se a carga horária é desumana e o fantasma da demissão ser a principal ferramenta de gestão para controle.
Saúde mental no trabalho hoje exige: limites claros entre vida pessoal e profissional (tempo de descanso, ócio, lazer, família, prazer); segurança psicológica (errar é parte do processo e é necessário para o aprendizado); remuneração digna (reduz a ansiedade financeira).
O direito à desconexão: Não somos robôs
Quero finalizar essa reflexão, propondo a você que está lendo este texto, que nossa homenagem aos trabalhadores neste dia, seja o reconhecimento da nossa humanidade. Lembra da frase que aparece para validação de alguns apps: Não sou um robô!? Precisa ser lembrada e validada, não somos robôs ou algoritmos, mas pessoas. O direito ao descanso e à desconexão não é um privilégio ou perda de tempo, bobagem, é uma necessidade de saúde pública. Que a nossa meta para o próximo ano não seja apenas bater recordes de faturamento, mas chegar ao final do dia bem, com nossa saúde psíquica preservada.
Um Feliz Dia do Trabalhador a cada um de nós, com um conceito que gosto muito relacionado ao trabalho: O trabalho pode ser definido como a nossa forma de transformar o meio em que vivemos, quem se preocupa somente com o salário no final do mês, não tem um trabalho, tem um emprego!
Um grande e carinhoso abraço,
Cris